Corinthians sofre revés judicial milionário em processo movido pela neta de Alberto Dualib sobre contratos da Era MSI

A Justiça de São Paulo proferiu uma decisão desfavorável ao Corinthians em um longo processo judicial que envolve contratos comerciais firmados na gestão de Alberto Dualib.
O Corinthians enfrenta um novo capítulo em uma disputa jurídica que se arrasta há mais de duas décadas. A decisão recente reconheceu o direito de Carla Dualib, neta do ex-presidente do clube, ao recebimento de comissões por acordos firmados durante a chamada Era MSI.
O caso coloca em xeque a validade de contratos de prestação de serviços que foram assinados entre o clube e a empresa SMA, pertencente à neta do ex-dirigente. A disputa, que atravessou anos de idas e vindas nos tribunais, agora ganha um novo contorno decisivo para as finanças alvinegras.
Conforme informações divulgadas pela ESPN, o tribunal reconheceu a validade do contrato e determinou que o clube deve arcar com os pagamentos, embora o valor final ainda precise ser apurado em uma nova fase processual, conforme detalhado pela Central do Timão.
Entenda a validade do contrato e o impacto nos cofres do clube
A 29ª Câmara de Direito Privado validou o contrato de prestação de serviços que esteve em vigor entre 2003 e 2006. A Justiça determinou que o clube deve incluir nos cálculos de pagamento o patrocínio da Samsung, embora tenha afastado a participação da empresa em negociações envolvendo a Pepsi.
Além disso, os desembargadores reconheceram o direito a uma indenização por lucros cessantes, motivada pelo descumprimento de uma cláusula de exclusividade. Esse ponto é considerado central, pois a empresa de Carla Dualib alegava que o clube ignorou seus direitos durante a parceria com a MSI.
O tribunal também abriu brecha para comissões posteriores ao período inicial de três anos do contrato, desde que seja comprovada a continuidade da administração de licenciamentos e patrocínios pela empresa, ou que houve impedimento injustificado por parte do Corinthians.
Valor do processo ainda é incerto e passível de cálculos
Apesar de o clube ter registrado em seu Regime de Centralização de Execuções (RCE) uma perda provável de 31.984.075,79 reais, esse montante não é definitivo. O processo entrará agora na fase de liquidação de sentença, onde o valor exato será apurado.
É importante destacar que a cifra de 31,9 milhões de reais é apenas uma estimativa contábil feita pelo próprio Corinthians em março deste ano. A pretensão inicial da autora da ação, com a aplicação de juros e correções monetárias ao longo de tantos anos, chegou a superar os 200 milhões de reais.
O contexto histórico da Era MSI e a gestão Dualib
A origem da disputa remonta aos anos finais da administração de Alberto Dualib, período marcado por polêmicas e pela chegada da MSI ao Parque São Jorge. O contrato com a empresa da neta do ex-presidente foi questionado na época devido à relação familiar entre as partes.
O Corinthians interrompeu os pagamentos sob a alegação de que o acordo era prejudicial aos interesses do clube e configurava uma forma de nepotismo. Por outro lado, a defesa de Carla Dualib sempre sustentou que o clube descumpriu as obrigações contratuais de exclusividade no marketing.
Após ter obtido decisões favoráveis em instâncias anteriores, o clube viu o cenário mudar em maio de 2025, quando uma nova sentença condenou a instituição ao pagamento de 8.645.285,20 reais, valor que ainda seria corrigido. Agora, o novo acórdão mantém o processo vivo e sob análise judicial.



