Projeto SAFiel: entenda os ajustes na versão 2.1 e o desafio financeiro para transformar o Corinthians em SAF

A evolução da proposta SAFiel busca blindar o Corinthians contra a concentração de poder e adaptar o modelo às novas exigências legais do mercado
O projeto SAFiel, que propõe a transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol, atravessa uma fase de refinamento técnico. Desde o seu lançamento, em outubro de 2025, os idealizadores têm mantido um canal aberto de escuta com a torcida e conselheiros.
Essa troca de informações permitiu que o grupo identificasse pontos de melhoria cruciais para a viabilidade do modelo. O foco principal agora é garantir que a estrutura do clube seja mantida de forma democrática, evitando riscos futuros de ingerência externa.
Conforme informações divulgadas pelo portal Meu Timão, os responsáveis pela iniciativa trabalham intensamente para ajustar o documento às mudanças na legislação brasileira sobre SAFs, que ocorreu poucas semanas após a divulgação inicial do projeto.
Ajustes legislativos e proteção do controle acionário
Eduardo Salusse, um dos idealizadores, explicou que a versão 2.1 da SAFiel corrige lacunas importantes. O empresário destacou que, embora o grupo tenha mapeado todas as alterações legislativas, era fundamental integrar esses dados ao documento público.
Um dos pontos mais sensíveis abordados foi a proteção contra a conversão desenfreada de dívidas em ações. Segundo Salusse, a versão original não possuía travas que impedissem credores de adquirir uma parcela significativa do controle do clube.
Para resolver isso, os organizadores estabeleceram um teto de participação e exigiram aprovação interna para qualquer operação. O limite máximo foi fixado em 2% por pessoa, garantindo que nenhum credor consiga dominar a tomada de decisão da SAFiel.
O processo de amadurecimento e a transparência
O empresário Carlos Teixeira reforçou que a versão 2.1 incorpora mais de 60 melhorias sugeridas pela comunidade. Ele classificou as alterações como polimentos necessários, que não alteram a espinha dorsal do modelo proposto pelo grupo.
Teixeira elogiou a qualidade das contribuições recebidas, afirmando que o debate público tem sido essencial para lapidar cada detalhe. Para ele, o esforço dos envolvidos demonstra o interesse coletivo em encontrar a melhor solução para o futuro corinthiano.
Desafios financeiros e a concorrência de modelos
Um dos maiores obstáculos para a implementação da SAFiel é o custo financeiro elevado. Teixeira destacou que a realização de uma due diligence, processo de auditoria conduzido por empresas de grande porte, é o item mais caro de toda a transição.
Além disso, o idealizador alertou sobre a existência de propostas de SAF de dono que circulam nos bastidores da diretoria. Ele defende que a concorrência é fundamental para que os sócios e a torcida possam comparar os formatos com total transparência.
Compromisso com o futuro do Corinthians
Mesmo confiantes na proposta, os idealizadores da SAFiel mantêm uma postura aberta ao diálogo. Teixeira reafirmou que, caso surja um modelo superior para o clube, o grupo será o primeiro a apoiar a iniciativa em prol do bem maior da instituição.
Em breve, o material revisado será disponibilizado de forma detalhada ao público. A ideia é que a versão 2.1 sirva como um guia robusto para o debate sobre o destino do Corinthians, mantendo a firmeza na defesa de uma gestão participativa e protegida.



