Projeto SAFiel encerra negociações com atual gestão do Corinthians e mira futuro do clube após as eleições de novembro

Após meses de tratativas e falta de retorno, o grupo responsável pela SAFiel decide encerrar as negociações com a gestão de Osmar Stabile no Corinthians
O cenário político do Corinthians sofreu uma mudança significativa nos últimos dias, com o anúncio oficial do fim das conversas entre a atual diretoria e os idealizadores do projeto SAFiel. A iniciativa, que busca transformar o futebol do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol, encontrou barreiras intransponíveis na administração atual.
Segundo os empresários Carlos Teixeira e Eduardo Salusse, responsáveis pela proposta, a falta de comunicação e a proximidade das eleições presidenciais, marcadas para novembro, tornaram inviável o prosseguimento das discussões. A decisão foi detalhada em entrevista ao portal Meu Timão, conforme informação divulgada pelo próprio veículo.
A seguir, entenda os motivos do rompimento, as polêmicas envolvendo a dívida da Neo Química Arena e os próximos passos que o grupo pretende dar para viabilizar a transformação do Corinthians em uma empresa moderna e sustentável.
O desgaste na relação entre SAFiel e a presidência
A tentativa de aproximação teve um momento crucial em 26 de agosto, durante uma reunião de cerca de quatro horas no Parque São Jorge. Na ocasião, o grupo recebeu mais de 200 questionamentos técnicos da diretoria, incluindo pedidos para que os debates fossem mantidos sob sigilo, longe dos holofotes da imprensa.
Carlos Teixeira relatou que, apesar do esforço de transparência, a diretoria não deu o retorno esperado. O ponto de maior tensão ocorreu quando o presidente Osmar Stabile exigiu a quitação da Neo Química Arena como condição para avançar, algo que os investidores consideraram tecnicamente e juridicamente inviável sem um contrato assinado.
A exigência da Arena e a falta de retorno
Os idealizadores da SAFiel chegaram a enviar e-mails e correspondências registradas para formalizar os procedimentos operacionais. No entanto, o grupo afirma que não recebeu respostas diretas da presidência, que teria preferido tratar o assunto apenas através da mídia, gerando um impasse insustentável.
Para Eduardo Salusse, a postura da atual gestão pareceu mais um gesto político do que uma real intenção de construir um acordo. Ele ressaltou que, sem um instrumento contratual, não há lógica financeira em realizar um aporte bilionário para pagar as pendências do estádio corinthiano.
O futuro do projeto e a soberania dos sócios
Apesar do encerramento das tratativas com a administração atual, os responsáveis pelo projeto SAFiel afirmam que o plano não foi abandonado. Eles argumentam que a decisão sobre o futuro do clube pertence aos sócios e não a uma diretoria com mandato transitório.
O projeto prevê uma captação inicial de R$ 2,5 bilhões, podendo chegar a R$ 3 bilhões, focada em sanar dívidas, investir no futebol e fortalecer a governança do Corinthians. O grupo garante estar pronto para retomar as conversas assim que houver abertura institucional após o pleito de novembro.
Estrutura da proposta e preservação da identidade
A proposta da SAFiel inclui mecanismos que permitem a participação financeira dos torcedores, com aportes acessíveis a partir de R$ 250. Além disso, o modelo estabelece salvaguardas rigorosas para proteger o nome, o escudo, as cores e toda a identidade histórica do clube.
Para que a transformação se concretize, o grupo reforça que seriam necessárias etapas rigorosas, como due diligence e, obrigatoriamente, a aprovação final em uma Assembleia Geral de sócios. Enquanto isso, o projeto segue como uma alternativa no radar político do Corinthians para os próximos anos.



