Perito aponta possível erro de R$ 460 milhões na dívida da Neo Química Arena e questiona cálculos da Caixa Econômica Federal


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Investigação aponta que a dívida da Neo Química Arena pode ter sido calculada com erros graves, levantando suspeitas sobre o valor real devido pelo Corinthians à Caixa Econômica Federal.

O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento administrativo para investigar o real montante pendente do financiamento da Neo Química Arena. A ação busca esclarecer divergências apontadas em pareceres técnicos sobre a evolução do débito ao longo dos anos.

O perito Anísio Costa Castelo Branco, responsável pela análise, identificou inconsistências na metodologia utilizada pelo banco. A suspeita é de que o valor cobrado do clube esteja muito acima do que seria tecnicamente devido, conforme informações divulgadas pelo portal Meu Timão.

A seguir, entenda como essa diferença de centenas de milhões de reais foi detectada e quais são os próximos passos do Corinthians para tentar resolver esse impasse financeiro com a instituição bancária.

A aplicação controversa da multa contratual

O ponto central do questionamento reside na forma como a Caixa Econômica Federal aplicou as penalidades por atraso. Segundo o perito, a multa foi calculada sobre um montante total muito superior ao valor que estava, de fato, em aberto no período.

Anísio Costa Castelo Branco explicou que, enquanto o valor efetivamente em atraso era de R$ 37 milhões, a multa foi aplicada sobre R$ 487 milhões. O especialista ressaltou que a penalidade incidiu até sobre valores que sequer haviam vencido na época.

Divergência de R$ 460 milhões no saldo devedor

Ao refazer os cálculos entre novembro de 2013 e agosto de 2019, o perito chegou a um resultado bem diferente do apresentado pelo banco. Enquanto a Caixa apontou uma dívida de R$ 536 milhões, o cálculo de Anísio resultou em apenas R$ 280 milhões.

Essa disparidade, acumulada ao longo do tempo, projeta uma diferença que hoje estaria na casa dos R$ 460 milhões. O perito argumenta que, caso essa inconsistência seja confirmada, o valor real da dívida da Arena seria drasticamente menor do que o atual.

Falta de transparência e taxas implícitas

O parecer técnico também aponta que a Caixa não forneceu planilhas cronológicas com a transparência necessária para justificar as taxas cobradas. Em alguns casos, a análise encontrou taxas implícitas que oscilariam entre 19,68% e mais de 450% ao mês.

Além disso, o especialista questiona a confiabilidade da própria planilha utilizada pela instituição financeira. Foram identificados casos onde os valores exibidos na tela do sistema não batiam com os registros documentais de pagamentos realizados pelo Corinthians.

Caminho para um possível acordo amigável

O perito defende que o primeiro passo seja buscar o diálogo com a Caixa para chegar a um consenso sobre os números. A expectativa é que o clube apresente os cálculos para evitar a judicialização do processo, embora essa última opção não esteja descartada.

Atualmente, o Corinthians segue cumprindo o cronograma de pagamentos estabelecido na reestruturação de 2022. O perito reforça que, enquanto não houver uma definição amigável ou uma ordem judicial, o clube deve manter os repasses para evitar maiores problemas contratuais.

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