MP investiga suposta contratação irregular de empresa de segurança pelo Corinthians

O Ministério Público instaurou procedimento investigatório criminal para apurar a contratação, pelo Corinthians, de uma empresa de segurança supostamente irregular, aberta em nome de um funcionário do clube, pelo valor de R$ 676,6 mil.
Entre setembro e outubro de 2025, já sob o comando do presidente Osmar Stabile, que assumiu provisoriamente em maio e definitivamente em agosto, o Corinthians pagou a Mega Assessoria Operacional Ltda para cuidar da segurança do clube. Foram emitidas três notas fiscais, de R$ 244.627,66, R$ 208.350,00 e R$ 223.650,00 para serviços de julho a outubro.
A Mega, entretanto, não teria autorização da Polícia Federal para prestar serviço de segurança privada, nem teria assinado contrato formal com o Corinthians, segundo a portaria de instauração da investigação do MP.
Constituída em 3 de julho deste ano, pouco mais de um mês após o afastamento do ex-presidente Augusto Melo e só dois meses antes de emitir a primeira nota fiscal ao Corinthians , a Mega está em nome de Fernando José da Silva, então gerente operacional do clube social e que hoje exerce a mesma função no CT Joaquim Grava.
Ele inicialmente disse ao site Sport Insider, que revelou a história, que abriu a empresa a pedido do diretor administrativo do Corinthians, Fábio Soares, para viabilizar o pagamento dos profissionais de segurança recém-contratados. Depois, mudou a versão e alegou que o pedido partiu de Stabile.
Em nota, o Corinthians alegou que viu a necessidade emergencial de substituir a equipe de segurança após a invasão à presidência do clube em 31 de maio de 2025 por apoiadores de Augusto Melo.
O Corinthians disse que os pagamentos corresponderam a demandas operacionais efetivamente realizadas pela empresa no Parque São Jorge, no CT Joaquim Grava e no CT das categorias de base e que, embora soubesse da relação da empresa com o funcionário, entendeu que não havia conflito de interesses.

O Corinthians apontou que, após a estabilização do clima político, abriu concorrência para contratação de uma nova empresa responsável pelo serviço de segurança.
Para o promotor do MP, responsável por investigar ex-presidentes do Corinthians, há indícios de possíveis irregularidades.
— As notas fiscais tornadas públicas são sequenciais, números 01, 02 e 03; demonstram, em pelo menos numa delas, o mesmo pagador e tomador de serviço; e podem gerar a ideia de retorno de dinheiro sacado, mormente porque é prática cotidiana no SCCP o adiantamento de valores em espécie ou o reembolso de valores através de notas fiscais frias — escreveu Conserino em um dos trechos da portaria de abertura de investigação.
Ele destacou ainda que o endereço registrado como sede da Mega possui uma fachada de uma residência comum, em São Paulo.
Segundo o promotor, a investigação irá apurar as possibilidades de furto de valores, falsidade ideológica, crimes tributários, entre outras irregularidades.
No despacho, assinado na última terça-feira, o representante do MP já marcou os depoimentos de Fernando e Fábio para o próximo dia 26.
Leia o posicionamento do Corinthians na íntegra:
Sobre os questionamentos enviados pela reportagem acerca dos serviços prestados pela empresa Mega Assessoria Operacional Ltda, o Sport Club Corinthians Paulista esclarece:
1) Após o lamentável episódio da invasão ao quinto andar no dia 31 de maio de 2025, foi detectada a necessidade de substituição da equipe de segurança para preservar o processo de transição de gestão no clube até a data da assembleia geral que definiria o impeachment de Augusto Mello e a posterior eleição do novo presidente em reunião do Conselho Deliberativo. A contratação, portanto, ocorre a partir de uma demanda operacional de emergência identificada.
2) A relação profissional do senhor Fernando José da Silva era de conhecimento da administração. À época, entendeu-se que não havia conflito de interesses formalmente caracterizado, considerando a natureza dos serviços contratados, a estrutura operacional vigente e a demanda emergencial identificada.
3) Os pagamentos realizados corresponderam a demandas operacionais executadas durante o período contratado, incluindo despesas relacionadas a contratação de pessoal e suporte operacional realizados pela Mega Assessoria Operacional Ltda. Os valores refletem a soma dos serviços apresentados pelo controle dos pontos de segurança do Parque São Jorge, CT Dr. Joaquim Grava e CT das categorias de base.
4) Com a estabilização do ambiente interno do clube, houve a abertura de concorrência para a contratação de uma nova empresa responsável pelos serviços de segurança.


