MP investiga contrato milionário do Corinthians com empresa do Fiel da Sorte após denúncias de irregularidades e pagamentos sem prestação de serviço


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O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para investigar a fundo a relação contratual entre o Corinthians e a empresa Incentiva, responsável pelo Fiel da Sorte.

A investigação apura possíveis irregularidades em um contrato que movimentou milhões de reais, mesmo após o programa de prêmios ter deixado de ser divulgado pelo clube.

O caso coloca sob suspeita a gestão dos recursos do Timão e levanta questionamentos sobre a fiscalização de contratos de marketing durante diferentes administrações, conforme informações divulgadas pelo ge.globo e confirmadas pelo Meu Timão.

Entenda o funcionamento da parceria sob suspeita

O contrato com a Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing previa sorteios semanais e experiências exclusivas para os membros do Fiel Torcedor entre 2023 e abril de 2024. Apesar da interrupção do programa nas redes sociais, os repasses financeiros continuaram sendo realizados pelo clube paulista.

Ao todo, o Corinthians desembolsou R$ 7.604.109,40 em valores brutos, que totalizaram R$ 6.912.103,15 após a retenção do Imposto de Renda. O Ministério Público afirma que o clube admitiu o descumprimento reiterado de obrigações pela empresa, mas manteve os pagamentos sem a devida comprovação dos serviços.

Possíveis crimes e o papel do Ministério Público

O promotor Cássio Roberto Conserino aponta, em tese, a ocorrência de crimes como estelionato, apropriação indébita, crime tributário e associação criminosa. A promotoria investiga a existência de notas fiscais reemitidas e a relação entre o endereço da empresa e outros negócios ligados a familiares de ex-dirigentes.

O MP-SP busca identificar quem autorizou os pagamentos e o destino final dos recursos, verificando se houve algum tipo de devolução de dinheiro para colaboradores ou membros da diretoria do clube na época da contratação.

Posicionamentos oficiais das partes envolvidas

O ex-presidente Duilio Monteiro Alves afirmou, em nota, que o contrato visava o incremento de receitas e a criação do plano Fiel Digital, ressaltando que a empresa tinha o compromisso contratual de adquirir produtos e experiências do clube de forma onerosa.

Já a atual diretoria, presidida por Osmar Stabile, informou que a rescisão do contrato com a Incentiva ocorreu este ano devido ao descumprimento das cláusulas. O clube reforçou que os pagamentos efetuados respeitaram os trâmites legais e contábeis vigentes.

Desdobramentos administrativos no Parque São Jorge

Além da esfera criminal, o caso será submetido à Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians para avaliação de possíveis sanções administrativas. O Ministério Público estabeleceu um prazo de dez dias úteis para que o clube forneça todos os dados bancários e documentos solicitados.

A investigação também cruza informações com outros inquéritos que apuram o uso irregular de cartões corporativos e a contratação de empresas de segurança sem autorização da Polícia Federal, ampliando o escopo da apuração sobre a gestão financeira do clube.

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