Ministério Público convoca presidente do Corinthians para depor sobre irregularidades em contratos de segurança e possível intervenção judicial


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O Ministério Público de São Paulo intensifica as investigações sobre a gestão do Corinthians, focando em contratos suspeitos de segurança e na viabilidade de uma intervenção judicial no clube.

O cenário administrativo do Corinthians atravessa um momento de extrema tensão, com o Ministério Público de São Paulo avançando em suas apurações sobre a gestão atual. O foco central está em possíveis irregularidades na contratação de serviços de segurança privada, que agora colocam o presidente Osmar Stabile sob os holofotes das autoridades.

A situação ganha contornos mais graves à medida que novos detalhes sobre as empresas contratadas vêm à tona, revelando falhas contratuais e operacionais. Essas investigações, que buscam transparência financeira, caminham paralelamente a um procedimento que avalia a necessidade de uma intervenção judicial no clube, conforme informações divulgadas pelo portal Meu Timão.

Nesta matéria, detalhamos os desdobramentos das oitivas agendadas para o presidente e o que está em jogo para o futuro institucional do clube paulista, analisando os pontos cruciais levantados pelos promotores do caso.

Investigação sobre empresas de segurança sem autorização

O Ministério Público agendou para a próxima quinta-feira, dia 6, o depoimento de Osmar Stabile. O procedimento apura irregularidades na contratação da Mega Assessoria Operacional Ltda, empresa que prestou serviços ao clube entre setembro e outubro de 2025 sem possuir a devida autorização da Polícia Federal.

Segundo o promotor Cássio Conserino, a empresa não tinha registro legal para atuar no setor, uma exigência obrigatória por lei. Além disso, não existia um contrato formal entre o clube e a prestadora, mesmo após a emissão de três notas fiscais que totalizaram R$ 676,6 mil.

O caso também envolve a Bear Security, responsável pela segurança pessoal do presidente e de sua família. Conforme a apuração, a empresa recebeu cerca de R$ 587 mil em 12 notas fiscais, sendo o Corinthians seu único cliente, apesar de também não possuir autorização da Polícia Federal para exercer a atividade.

A origem da estrutura operacional das empresas

Um ponto central da investigação é a origem da Mega Assessoria Operacional. A empresa foi aberta em nome de Fernando José da Silva, o Nandão, que atuava como gerente operacional do clube social e hoje exerce a função de gerente no CT Joaquim Grava.

Em depoimento, o funcionário afirmou que criou a empresa por ordem do então diretor administrativo, Fábio Soares, com o intuito de viabilizar pagamentos aos seguranças. O Ministério Público, contudo, busca entender se essa estrutura foi montada propositalmente para burlar as regras rígidas de contratação do Corinthians.

Riscos de intervenção judicial no Corinthians

Além das questões contratuais, o MP-SP deu continuidade ao inquérito que analisa a possibilidade de uma intervenção judicial no clube. O presidente Osmar Stabile foi convocado para uma oitiva presencial no dia 10, próxima segunda-feira, conduzida pelo promotor Luiz Ambra Neto.

Esse procedimento investiga possíveis falhas administrativas, financeiras e institucionais graves. Após uma tentativa do clube em barrar a investigação, o Conselho Superior do Ministério Público negou o recurso, permitindo que a coleta de provas e os depoimentos seguissem seu curso normal.

Próximos passos do Ministério Público

O trabalho dos promotores agora se concentra em reunir elementos suficientes para definir o futuro da gestão. Caso as evidências comprovem má conduta, o órgão poderá ingressar com uma ação civil pública solicitando a intervenção judicial no Corinthians.

A decisão final sobre uma eventual intervenção caberá exclusivamente ao Poder Judiciário. Enquanto isso, o clube aguarda os desdobramentos dos depoimentos, que serão decisivos para determinar se haverá responsabilização criminal dos envolvidos ou o arquivamento definitivo do caso.

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