Ministério Público coloca Corinthians contra a parede em investigação sobre dívida da Neo Química Arena e analisa possível intervenção judicial

O Ministério Público de São Paulo deu um passo decisivo ao notificar o Corinthians para esclarecer valores da dívida da Neo Química Arena em inquérito que avalia uma possível intervenção judicial no clube.
O Ministério Público de São Paulo tomou uma medida importante nesta sexta-feira ao notificar o Corinthians. O objetivo é que o clube apresente, em até dez dias, sua posição oficial sobre os cálculos da dívida da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal.
Essa notificação ocorre antes que os dados sejam enviados para uma análise técnica detalhada pelo CAEX-Crim. O órgão de suporte do MP-SP irá confrontar matematicamente os valores do débito para verificar se os R$ 536 milhões apontados na execução judicial estão corretos.
Conforme informações divulgadas pela apuração da reportagem, o procedimento administrativo busca entender se houve falhas na gestão, podendo impactar diretamente o inquérito civil que investiga a viabilidade de uma intervenção judicial no Corinthians.
Divergências internas e o papel do Ministério Público
A promotoria, sob o comando de Cássio Conserino, baseou sua decisão em uma ata de reunião do Conselho Deliberativo do clube datada de 22 de junho de 2022. Na ocasião, conselheiros manifestaram divergências sobre os números apresentados.
Segundo o promotor, o Corinthians teria aceitado os valores da Caixa sem questionamentos técnicos mais profundos. A transcrição da reunião cita nomes como os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, além de ex-diretores do clube.
Origem da investigação e a denúncia de perícia
O procedimento administrativo teve origem a partir de uma denúncia apresentada pelo perito Anísio Castelo Branco, CEO do Instituto de Perícia Investigativa. Ele elaborou um dossiê apontando inconsistências nos encargos, juros e multas aplicados ao financiamento do estádio.
O contrato inicial, assinado em 2013, previa um crédito de até R$ 400 milhões para a obra. No entanto, a perícia indica que a diferença acumulada pela aplicação dos índices ao longo dos anos chega a um impacto de R$ 402,7 milhões em valores atualizados.
O impacto da dívida e a reestruturação financeira
Em 2022, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, o débito do estádio passou por uma reestruturação profunda. O acordo envolveu compromissos com a Caixa e o BNDES, em meio ao processo de recuperação judicial da antiga Odebrecht, hoje Novonor.
Segundo o balancete mais recente, referente a junho, a dívida da Neo Química Arena está contabilizada em R$ 630 milhões. A Caixa, por sua vez, afirma que as operações seguem protegidas por sigilo bancário, não fornecendo detalhes contratuais.
O que pode acontecer com o Corinthians?
É fundamental destacar que este procedimento, por si só, não determina uma intervenção imediata. O Ministério Público trabalha, neste momento, para esclarecer a precisão dos números e ouvir a defesa do clube antes de prosseguir com a análise técnica.
O resultado desse trabalho do CAEX-Crim será determinante para o inquérito civil, que apura a suspeita de uma possível gestão temerária institucionalizada. O destino administrativo do clube segue sob observação rigorosa das autoridades competentes.



