Justiça nega pedido de prisão de vice-presidente do Corinthians em caso envolvendo desvios de materiais esportivos da Nike

Justiça de São Paulo rejeita pedido de prisão preventiva contra vice-presidente do Corinthians em investigação sobre materiais esportivos da Nike
A Justiça de São Paulo tomou uma decisão importante nesta semana envolvendo os bastidores do Corinthians. A juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal da Barra Funda, recusou o pedido do Ministério Público para decretar a prisão preventiva de Armando Mendonça, atual vice-presidente do clube paulista.
O dirigente é investigado por suspeitas de envolvimento em um esquema de desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike. Além da prisão, o pedido do MP-SP também visava o afastamento imediato de Mendonça de suas funções estatutárias no Timão.
Conforme informações divulgadas inicialmente pelo portal ge.globo, a magistrada também negou a proibição de contato do dirigente com outros membros da instituição e o impedimento de sua entrada nas dependências do clube.
Entenda o pedido do Ministério Público
O promotor Cássio Conserino apresentou o pedido de prisão na última sexta-feira, dia 16. A solicitação ocorreu logo após a demissão de Marcelo Munhoes, ex-diretor de tecnologia do clube, que é considerado uma testemunha chave nas investigações contra o vice-presidente.
Para o promotor, o desligamento de Munhoes, que afirmou ter sido motivado por questões políticas, poderia representar uma tentativa de pressionar testemunhas e prejudicar a coleta de provas antes da audiência marcada para novembro.
A decisão da Justiça sobre o caso
A juíza Amanda Eiko Sato, no entanto, entendeu que não existem evidências concretas de que Armando Mendonça tenha influenciado diretamente na demissão do funcionário. Para a magistrada, não há notícias de contato do vice-presidente com a testemunha para constrangê-la.
A decisão destacou que a proximidade entre a data da demissão e a audiência agendada não é suficiente, por si só, para comprovar um risco real à investigação ou à integridade do processo que apura as irregularidades com os produtos da Nike.
Investigação aponta desvios de materiais
Armando Mendonça tornou-se réu no processo em junho deste ano. As acusações contra ele incluem crimes como apropriação indébita agravada, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo, segundo o Ministério Público.
Segundo as investigações, o vice-presidente teria se apropriado de 131 artigos esportivos, além de tentar obter 19 camisas especiais da NFL e retirar para uso pessoal outras oito unidades da edição comemorativa, fatos que o dirigente nega categoricamente.
Defesa e próximos passos do processo
O dirigente do Corinthians sustenta que as falhas de controle ocorreram na gestão anterior e que medidas corretivas foram aplicadas. Mendonça também contesta a validade do relatório de auditoria interna que fundamentou as denúncias contra ele.
Na mesma decisão, a Justiça também negou um pedido da defesa de Mendonça para afastar o promotor Cássio Conserino do caso. A magistrada reforçou que solicitar prisões preventivas faz parte das atribuições do Ministério Público, estando sujeitas ao controle judicial.



