Crise no Corinthians: Cori trava reforma do Estatuto e deixa futuro do projeto SAFiel em aberto após reunião tensa no clube

O Conselho de Orientação do Corinthians barrou a tentativa de reformar o Estatuto do clube, travando mudanças esperadas por conselheiros e pela torcida alvinegra neste momento decisivo.
A política interna do Corinthians vive um novo capítulo de incertezas após o Conselho de Orientação, conhecido como Cori, decidir não analisar o novo projeto de reforma do Estatuto. A proposta, que visava adequar o clube à Lei Geral do Esporte e implementar mudanças estruturais, foi descartada pelos conselheiros.
Com essa decisão, a expectativa de modernização das regras do clube a curto prazo foi frustrada. Isso significa que as próximas eleições, previstas para o final deste ano, deverão ocorrer seguindo o texto estatutário que já está em vigor atualmente.
Conforme informações divulgadas pelo portal Meu Timão, o impasse surgiu devido a uma interpretação jurídica que impede a renovação do debate sobre o tema antes do prazo legal de um ano após a última deliberação do Conselho Deliberativo.
O argumento jurídico que travou a reforma
O bloqueio da pauta ocorreu porque diversos membros do Cori, como Alexandre Husni e Felipe Ezabella, invocaram o parágrafo único do artigo 81 do Estatuto vigente. O dispositivo determina que qualquer assunto resolvido pelo Conselho Deliberativo só pode ser renovado após o decurso de um ano.
Como o tema foi votado em maio deste ano, a interpretação majoritária foi de que a reforma só poderia retornar à pauta em maio de 2027. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, tentou argumentar que o processo estaria livre para um novo início devido à suspensão judicial da última Assembleia Geral, mas não teve sucesso.
Presidente do CD busca consenso sem sucesso
Romeu Tuma Júnior lamentou o desfecho e afirmou que sua intenção era apenas buscar um consenso para encerrar um desgaste institucional que já dura três anos. O dirigente destacou que muitos pontos da reforma eram necessários para alinhar o clube às exigências legais da Lei Geral do Esporte.
Diante da negativa do Cori, Tuma Júnior declarou que não pretende insistir no assunto por enquanto. Ele afirmou que aguardará o julgamento definitivo da Justiça sobre a liminar que suspendeu a última Assembleia Geral para decidir os próximos passos sobre a reforma estatutária.
Situação financeira e o projeto SAFiel
Além da reforma, a reunião do Cori abordou outros temas sensíveis. O órgão aprovou o afastamento do ex-presidente Roberto de Andrade até o fim do triênio, devido a faltas injustificadas em reuniões. Também houve um alerta feito por Tuma sobre o risco de insolvência financeira do clube.
Sobre o projeto SAFiel, o presidente Osmar Stabile compareceu à reunião com o intuito de obter o aval para assinar o memorando não-vinculante. No entanto, o tema sequer foi discutido, sob a justificativa de que não poderia ser incluído na pauta de assuntos gerais.



