Comissão de Ética do Corinthians arquiva processo disciplinar contra Haroldo Dantas e aponta necessidade de mudanças no regimento interno

Após meses de apurações sobre conduta e governança no Corinthians, a Comissão de Ética decidiu pelo arquivamento do processo disciplinar contra Haroldo Dantas, atual presidente do Conselho Fiscal.
O caso, que movimentou os bastidores do Parque São Jorge, girava em torno de supostos conflitos de interesse envolvendo a atuação profissional de Dantas e sua proximidade com a diretoria executiva. A decisão oficial foi formalizada no final de agosto.
As investigações buscavam entender se havia irregularidades na conduta do dirigente, especialmente devido a laços de amizade e alinhamento político com o presidente Osmar Stabile. O desfecho do processo traz novos desdobramentos para a gestão do clube.
Conforme informações divulgadas inicialmente pelo portal Meu Timão, a relatora do caso, Claudia Carlos de Oliveira, concluiu que não existem provas efetivas de irregularidades, conforme detalhado no documento oficial.
Entenda o motivo da investigação contra o dirigente
O processo teve início em março, motivado por denúncias de que Haroldo Dantas exercia advocacia para empresas pertencentes a Osmar Stabile. O argumento central era que essa relação poderia comprometer a independência necessária ao cargo de presidente do Conselho Fiscal.
Durante o período de apuração, o dirigente chegou a ser afastado cautelarmente, mas a medida foi questionada. O Conselho de Orientação, conhecido como CORI, esclareceu que o estatuto do clube não permite que apenas um membro da Comissão de Ética determine esse tipo de afastamento isoladamente.
Ministério Público também analisou o caso
Além da esfera interna, o assunto chegou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo. O órgão apurou a participação de Dantas na votação que aprovou as contas de 2025 do clube, mas o procedimento foi arquivado em maio.
A promotoria descartou a hipótese de falsidade ideológica no caso, destacando que existe uma ambiguidade no regimento interno da instituição sobre temas relacionados à conduta de seus conselheiros em situações específicas.
Relatora aponta falta de provas materiais
No parecer final, a relatora Claudia Carlos de Oliveira foi enfática ao afirmar que não há previsões claras no estatuto para punições automáticas baseadas apenas em relações de amizade ou serviços advocatícios entre conselheiros e diretores.
Segundo o documento, não houve comprovação de que Haroldo Dantas tenha recebido benefícios indevidos, alterado auditorias ou causado prejuízos financeiros ao Corinthians. Questões morais, segundo a relatora, não equivalem a ilegalidades disciplinares sem provas.
Recomendação de melhorias no regimento
Para evitar novos desgastes institucionais, a relatora sugeriu ao presidente do Conselho Deliberativo que o Corinthians promova uma revisão em seu regimento interno. A ideia é criar normas mais precisas sobre governança.
A recomendação inclui a necessidade de maior clareza sobre conflitos de interesse, a obrigatoriedade de declaração de relações profissionais e a definição de procedimentos formais para a aplicação de medidas cautelares no futuro, garantindo mais segurança jurídica ao clube.



