A volta do Corinthians ao Movimento dos Clubes Formadores: Erasmo Damiani revela os bastidores e os desafios da reestruturação da base

Após quase dois anos de afastamento devido a conflitos de bastidores, o Corinthians retoma seu papel central no cenário nacional focando na formação de talentos.
O retorno do Corinthians ao Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro (MCFFB), concretizado em 19 de agosto, marca o fim de um período de turbulência. A ausência, que durou um ano e nove meses, gerou impactos profundos na estrutura da base alvinegra.
O executivo de futebol de base, Erasmo Damiani, descreveu o período como uma segunda pandemia para os jovens atletas. O clube deixou de disputar 38 competições importantes desde 2025, o que prejudicou diretamente o desenvolvimento técnico e a experiência dos garotos em formação, conforme informações divulgadas pelo ge.globo.
A seguir, entenda como o clube pretende reestruturar o departamento, enfrentar as limitações financeiras e lidar com a pressão externa para garantir o futuro dos jovens jogadores.
O impacto da exclusão e a busca por competitividade
Segundo Erasmo Damiani, a perda de ritmo competitivo foi imensurável para os atletas. O dirigente explicou que jogadores da categoria sub-15, por exemplo, perderam dez torneios fundamentais desde o sub-13, o que compromete a capacidade de adaptação dos talentos às diferentes escolas de futebol do país.
Além do prejuízo esportivo, o clube sofreu com a saída de jogadores promissores, já que a exclusão do MCFFB motivou alguns pais a buscarem outras instituições para seus filhos. Agora, o foco total é entender o real nível dos atletas que permaneceram no clube após a reabilitação.
Reestruturação interna e gestão financeira rigorosa
Com uma dívida geral de R$ 2,7 bilhões, o Corinthians enfrenta limitações orçamentárias que impedem a compra de novos jogadores. Damiani destacou que a estratégia atual é priorizar o que já existe dentro de casa e promover talentos de categorias inferiores para suprir as lacunas nos elencos sub-17 e sub-20.
O departamento passou por um enxugamento drástico sob a gestão de Damiani, que liberou cerca de 140 pessoas, entre atletas e funcionários. Atualmente, o clube conta com 180 colaboradores dedicados, focando não apenas na formação dos jovens, mas também na capacitação de novos treinadores e profissionais da comissão técnica.
Infraestrutura e o controle da saúde dos atletas
Um dos pontos cruciais da nova gestão é a separação definitiva das estruturas da base e do futebol feminino profissional. As obras, iniciadas em 2026 e em fase final, visam dar autonomia total aos departamentos, garantindo que os jovens tenham acesso a academia, fisioterapia e áreas administrativas exclusivas.
Outra mudança importante foi a centralização da alimentação no CT. Damiani afirmou que o clube passou a controlar rigorosamente as refeições dos atletas, eliminando o déficit calórico que ocorria quando os garotos não se alimentavam adequadamente após os treinos, tratando a nutrição como um investimento estratégico.
O desafio do relacionamento com as famílias
Para o executivo, um dos maiores obstáculos no dia a dia é a interferência excessiva de pais e responsáveis. Damiani reforçou que o treino é um momento sagrado entre o clube e o atleta, e que a pressão por resultados imediatos ou o desejo de que o filho seja um craque mundial pode frustrar o desenvolvimento real dos jovens.
O dirigente defende que o futebol de base deve focar na felicidade das crianças e no aprendizado constante. Segundo ele, o ambiente de cobrança externa muitas vezes gera rivalidade desnecessária e desmotivação, sendo essencial que a família entenda que o processo de formação é longo e cheio de etapas, incluindo o banco de reservas.



