Corinthians define nova data para votação da reforma do Estatuto e mira mudanças profundas na gestão do clube

A Assembleia Geral dos associados do Corinthians ganhou uma nova data para a votação da reforma do Estatuto, buscando modernizar a governança do clube diante de uma crise institucional.
O Corinthians vive um momento decisivo em sua história administrativa. Após um período de incertezas e entraves judiciais, o clube convocou uma nova Assembleia Geral Extraordinária para que os associados possam deliberar sobre a proposta de reforma do Estatuto, um projeto que promete alterar as bases de funcionamento da instituição.
A convocação, oficializada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, marca o retorno das discussões sobre as mudanças estruturais que o clube necessita. O processo visa, acima de tudo, adequar a agremiação aos novos padrões de gestão e transparência exigidos pelo futebol brasileiro atual.
Conforme informações divulgadas pelo material de apoio sobre a pauta, a votação será um marco para a governança do clube, que busca superar uma crise moral e financeira que afeta sua credibilidade, conforme alertado por auditorias independentes e investigações do Ministério Público.
Detalhes da votação e o processo de escolha
A Assembleia Geral está agendada para o dia 19 de setembro, no Parque São Jorge, com os portões abertos das 9h às 17h. Estão aptos a participar os associados maiores de 18 anos que possuam mais de cinco anos de clube, desde que estejam rigorosamente em dia com suas obrigações estatutárias.
Devido a limitações técnicas com as urnas eletrônicas, o processo será realizado por meio de cédulas impressas e urnas físicas. Os eleitores deverão votar em um pacote contendo dez alterações estatutárias, que foram debatidas anteriormente em 11 audiências públicas e aprovadas pelo Conselho Deliberativo.
Principais mudanças propostas no pacote
As alterações levadas à votação tocam em pontos sensíveis da política interna. Entre os destaques, está o direito de voto para o associado de futebol, conhecido como Fiel Torcedor, com previsão de vigência a partir de 2026, além da redução do Conselho Deliberativo para 200 membros, sendo 150 eleitos e 50 vitalícios.
Também constam no pacote a instituição do sistema de dois turnos para a eleição de presidente e vices, a redução da carência para votar para três anos e a criação de uma eleição via Assembleia Geral para o Conselho de Ética, visando garantir maior independência funcional nos processos internos.
O contexto jurídico e institucional
A nova data surge após o cancelamento de uma assembleia anterior, que havia sido suspensa por uma decisão do desembargador Mauricio Campos da Silva Velho, do TJ-SP. Na ocasião, conselheiros vitalícios questionaram a legalidade da tramitação da proposta de reforma estatutária.
Agora, o clube reforça que a iniciativa está amparada no artigo 45 do atual estatuto e na autonomia das entidades desportivas prevista pela Constituição Federal. A expectativa é que a aprovação ajude a estabilizar a instituição, que também enfrenta um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de São Paulo.
Governança e o futuro do clube
A modernização do documento é vista como um passo essencial para o Corinthians, que não passa por uma reforma significativa desde 2017. O objetivo é alinhar o clube à Lei Geral do Esporte, garantindo maior responsabilidade e transparência em todas as suas instâncias de poder.
Caso o pacote seja aprovado pelos associados, as mudanças serão registradas oficialmente em cartório. O clube disponibilizará todo o material detalhado, incluindo resumos didáticos, através de e-mail e em seu site oficial, para que todos os sócios estejam cientes do impacto das transformações no futuro do Timão.



