Osmar Stabile abre o jogo sobre negociação da SAF do Corinthians com grupo SAFiel e detalha crise financeira bilionária do clube

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, quebrou o silêncio sobre o andamento das conversas para a implementação da SAF no clube e o cenário financeiro delicado.
O futuro do Corinthians segue sendo um dos assuntos mais debatidos nos bastidores do Parque São Jorge. Com o clube atravessando uma situação financeira complexa, a possível chegada de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) desperta a atenção da torcida.
O mandatário alvinegro, Osmar Stabile, detalhou recentemente o estágio atual das tratativas com o grupo SAFiel. Segundo ele, as partes ainda precisam alinhar diversos pontos antes de qualquer avanço concreto na transição do modelo de gestão.
Conforme informações divulgadas pela Rádio Energia 97, a diretoria aguarda agora um documento fundamental que deve responder a questionamentos internos do clube.
O impasse com o grupo SAFiel e as perguntas enviadas
O processo de negociação com a SAFiel ganhou contornos mais burocráticos na última semana. Stabile explicou que o clube solicitou uma reunião documentada, envolvendo o Conselho Deliberativo, o Conselho de Orientação (Cori) e o Conselho Fiscal.
Para garantir transparência, o vice-presidente Armando Mendonça elaborou uma lista com 105 questionamentos técnicos e estratégicos para o grupo interessado. O prazo para o envio dessas respostas vence nesta sexta-feira.
O presidente afirmou que o clube aguarda o retorno dessas perguntas antes de tomar qualquer decisão definitiva. A expectativa é entender se a proposta atende aos interesses do Corinthians e se oferece segurança jurídica e financeira.
A crise financeira e a dívida que supera os R$ 3 bilhões
Um dos pontos centrais da entrevista de Stabile foi a saúde financeira do Timão, que hoje lida com um passivo superior a R$ 3 bilhões. O presidente comparou o clube a uma caixa com muitos furos, que precisa ser reparada gradualmente.
Para conter gastos, a diretoria tem adotado medidas rígidas em todas as áreas, o que incluiu o encerramento do basquete feminino no início da temporada. O objetivo é manter a competitividade do futebol profissional sem gastar mais do que se arrecada.
Stabile destacou ainda que a dívida com a Caixa Econômica Federal, referente à construção da Neo Química Arena, é um dos maiores entraves. O dirigente afirmou que assinaria a proposta da SAF caso o grupo assuma integralmente esse compromisso.
Transfer bans e o desafio da gestão de receitas
O presidente também comentou sobre a pressão causada pelos transfer bans, que somaram cerca de R$ 120 milhões e sufocaram o fluxo de caixa do clube recentemente. Mesmo com a possibilidade prevista no Estatuto, o clube ainda não utilizou o limite de 30% de antecipação de receitas.
Stabile ressaltou que, diferentemente de gestões anteriores, ele tem feito questão de levar todas as decisões importantes aos conselhos do clube. Ele citou como exemplo a contratação de Memphis Depay, que passou pelo crivo do Cori para viabilizar o alto salário do atleta.
A gestão atual defende que, ao resolver a pendência com a Caixa e controlar os custos operacionais, o Corinthians poderá finalmente encontrar um caminho sustentável para o seu futuro financeiro nos próximos anos.



