Crise no Corinthians: Conselho Deliberativo convoca presidente para esclarecer dívida de R$ 3 bilhões e atrasos salariais

O Conselho Deliberativo do Corinthians reagendou para esta sexta-feira, dia 23, uma reunião decisiva para cobrar explicações da diretoria do clube sobre a delicada situação financeira e institucional que o Timão enfrenta atualmente.
O encontro, que ocorrerá no Parque São Jorge, contará com a presença do presidente Osmar Stabile e de outros membros da alta cúpula alvinegra. A reunião inicial, marcada para a semana passada, precisou ser adiada devido a uma viagem do mandatário a Brasília, onde tratou de negociações sobre a dívida da Neo Química Arena.
O clima no clube é de alta tensão, especialmente após declarações fortes do zagueiro Gabriel Paulista sobre a falta de suporte aos atletas. A cobrança por transparência e responsabilidade na gestão é o ponto central da pauta do Conselho Deliberativo, conforme informações divulgadas pelo ge.globo.
O impacto das críticas de Gabriel Paulista
O estopim para a convocação da reunião foram as declarações do zagueiro Gabriel Paulista, que relatou a ausência de respaldo institucional e dificuldades financeiras enfrentadas pelo elenco. Segundo o atleta, a falta de proteção aos jogadores e os recorrentes atrasos salariais afetam diretamente o rendimento da equipe dentro de campo.
Em sua fala, o jogador afirmou que, no Corinthians, ele não vê nenhuma proteção, ressaltando que, embora os atletas deem a vida pelo escudo, existem pessoas dentro do clube que não respeitam a instituição. Ele destacou que a situação é uma vergonha, especialmente para os jovens da base que precisam de apoio financeiro para sustentar suas famílias.
Dívida bilionária e riscos tributários
Um dos temas mais urgentes a serem debatidos é o endividamento total do clube, que já chega a aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo dados do balancete financeiro do primeiro semestre de 2026. A diretoria terá que explicar os atrasos nos pagamentos de acordos tributários e trabalhistas.
O clube chegou a acumular quatro parcelas em aberto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somando cerca de R$ 27,3 milhões. Embora parte do débito tenha sido quitada recentemente, a inadimplência coloca em risco a renegociação que reduziu uma dívida original de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões.
Futuro da Neo Química Arena e intervenção
A gestão da Neo Química Arena também estará no centro do debate. O clube tenta resolver o passivo do estádio através da cessão dos naming rights, em uma proposta de R$ 630 milhões feita à Caixa Econômica Federal. As partes, inclusive, teriam suspendido o pagamento da dívida enquanto as tratativas avançam.
Além disso, o Conselho Deliberativo busca esclarecimentos sobre as apurações do Ministério Público de São Paulo em relação a uma possível intervenção judicial. A diretoria deve detalhar os documentos enviados ao órgão, que investiga a governança e a saúde financeira da instituição.
Atrasos salariais e falta de transparência orçamentária
A crise financeira do Corinthians não se limita ao time profissional masculino, que está com direitos de imagem atrasados há três meses. O problema se estende ao futebol feminino, ao basquete e até mesmo ao auxílio financeiro das categorias de base, que enfrentaram dificuldades ao longo de 2026.
Por fim, os dirigentes deverão explicar o atraso na entrega da revisão orçamentária, documento obrigatório que deveria ter sido apresentado em junho. A falta de transparência sobre receitas e despesas impede uma fiscalização adequada por parte do Conselho Deliberativo, agravando ainda mais a instabilidade política no clube.



