Ministério Público pede prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, em investigação sobre desvio de materiais esportivos

A solicitação de prisão preventiva do vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, agita os bastidores do clube em meio a um processo judicial complexo e polêmico sobre materiais esportivos.
O Ministério Público de São Paulo protocolou, nesta sexta-feira, um pedido de prisão preventiva contra o atual vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça. O dirigente é alvo de uma investigação que apura supostas irregularidades envolvendo a gestão de artigos esportivos fornecidos pela Nike ao clube paulista.
A medida foi solicitada pelo promotor Cássio Conserino, logo após o desligamento de Marcelo Munhoes, ex-diretor de tecnologia da informação do clube. Munhoes é considerado uma testemunha fundamental, pois teria participado da identificação de elementos técnicos que apontariam para uma possível apropriação indevida de produtos.
Conforme informações divulgadas pelo portal ge.globo, a promotoria entende que a demissão do funcionário, ocorrida pouco antes da audiência de instrução marcada para novembro, pode representar uma tentativa de influenciar depoimentos e prejudicar a coleta de provas. Segundo o Ministério Público, essa ação levanta suspeitas de interferência no andamento da ação penal.
Entenda as acusações contra o dirigente
Armando Mendonça tornou-se réu em junho deste ano. As acusações contra o vice-presidente do Corinthians incluem apropriação indébita agravada, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo judicial. O caso ganhou força após uma auditoria interna identificar falhas nos controles de materiais.
Segundo o órgão acusador, Mendonça teria se apropriado de 131 artigos esportivos, além de tentar obter 19 camisas especiais da NFL e retirar para si oito unidades de uma edição comemorativa. O promotor também relatou que duas testemunhas teriam sido ameaçadas durante o período de apurações.
A defesa de Armando Mendonça contesta o pedido
Em nota oficial, a defesa de Armando Mendonça classificou o pedido de prisão preventiva como descabido e ilegal. Os advogados afirmaram ter recebido a notícia com espanto e ressaltaram que a demissão de integrantes do corpo diretivo é uma prerrogativa da presidência do clube, tratando-se de um evento interno e político.
A defesa ainda pontuou que o ex-diretor, Marcelo Munhoes, estaria envolvido em chapas de oposição para futuras eleições no Corinthians. Segundo os advogados, a acusação tenta criar uma conexão inexistente entre a dispensa administrativa e uma suposta tentativa de obstruir a justiça, classificando a conduta do promotor como contaminada por questões políticas.
Investigação de nova suposta interferência
Além de requerer a prisão, o Ministério Público instaurou uma nova investigação para apurar as razões específicas do desligamento do ex-diretor. O objetivo central é verificar se o vice-presidente ou outras figuras do clube tiveram participação direta em ações para interferir no processo judicial em curso.
Armando Mendonça, por sua vez, nega todas as acusações. O dirigente afirma que os problemas de controle de estoque remontam à gestão anterior e que o relatório de auditoria apresenta falhas técnicas. O caso segue agora sob análise da 25ª Vara Criminal, enquanto a defesa garante que tomará medidas junto aos órgãos correcionais contra a atuação da promotoria.



