Ministério Público pede prisão de vice-presidente do Corinthians em investigação sobre desvio de materiais da Nike

O Ministério Público de São Paulo solicitou a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, em meio a investigações sobre irregularidades com materiais da Nike.
O cenário político e jurídico do Corinthians enfrenta um novo capítulo de incertezas. A Justiça recebeu um pedido formal para a prisão preventiva de Armando Mendonça, o segundo vice-presidente do clube, devido a possíveis manobras que estariam prejudicando o andamento das investigações sobre o fornecimento de materiais esportivos.
A solicitação foi protocolada nesta sexta-feira pela promotoria, levantando alertas sobre a integridade do processo. Segundo informações divulgadas inicialmente pelo portal ge.globo e confirmadas pelo Meu Timão, o movimento ocorre justamente em um momento crucial para a coleta de provas.
O pedido de prisão preventiva de Armando Mendonça foi motivado por uma série de fatores, conforme detalhou o promotor Cássio Conserino, que busca garantir que a verdade venha à tona sem interferências externas no caso que envolve a marca Nike.
A demissão de testemunha-chave e a pressão sobre o processo
O ponto central do pedido de prisão preventiva de Armando Mendonça é o recente desligamento de Marcelo Munhoes, ex-diretor de tecnologia do clube. Munhoes é considerado uma peça-chave por ter fornecido dados técnicos que apontaram indícios de apropriação indevida de materiais esportivos.
Para o Ministério Público, a demissão de Munhoes, que ocorreria pouco antes da audiência de instrução marcada para o dia 10 de novembro, pode ser interpretada como uma tentativa deliberada de pressionar testemunhas. O promotor Cássio Conserino teme que o ato intimide outros funcionários que ainda precisam depor.
Além disso, o órgão destacou que o desligamento aconteceu em um período em que o presidente do clube, Osmar Stabile, manifestou apoio público ao vice. Essa coincidência de eventos reforça, na visão do Ministério Público, a suspeita de uma possível interferência no curso das investigações criminais.
Entenda a origem das denúncias no Caso Nike
O chamado Caso Nike ganhou força a partir de uma auditoria interna com 94 páginas, realizada durante a gestão de Osmar Stabile. O documento revelou falhas graves no controle de estoque e inconsistências nos registros de materiais esportivos entre 2024 e 2025, incluindo o estouro de cotas.
O relatório aponta que Armando Mendonça teria realizado retiradas irregulares de mais de 130 itens. O dirigente nega todas as acusações e alega que as movimentações foram legítimas, tratando o episódio como uma forma de perseguição política dentro da estrutura do Corinthians.
Como resultado desse desdobramento, Mendonça se tornou réu por suspeitas de apropriação indébita qualificada, furto qualificado por abuso de confiança e coação. O processo segue em diversas frentes, incluindo um novo procedimento investigatório aberto pelo Ministério Público para apurar as circunstâncias da demissão de Munhoes.
O impacto jurídico e o futuro do caso
A situação envolvendo o Corinthians é complexa, pois envolve tanto esferas criminais quanto administrativas. Vale lembrar que a Justiça chegou a anular um processo ético-disciplinar contra o dirigente no Conselho Deliberativo do clube, apontando falhas procedimentais na condução daquele caso interno.
O desdobramento das investigações já causou baixas importantes, incluindo o desligamento por justa causa de Rafael Salomão, gerente administrativo do clube, e Rodrigo Garrote, executivo da Fisia, a distribuidora oficial da Nike no Brasil. A apuração continua para esclarecer todos os fatos.
Embora a Polícia Civil tenha concluído, em maio de 2026, um inquérito sem comprovar uma estrutura criminosa organizada para desvios, o Ministério Público mantém as investigações ativas. O pedido de prisão preventiva de Armando Mendonça agora aguarda análise da 25ª Vara Criminal para definir os próximos passos.



