Crise no Corinthians: Conselho convoca Osmar Stabile após desabafo de Gabriel Paulista sobre salários atrasados e falta de respaldo


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O Conselho Deliberativo do Corinthians convocou o presidente Osmar Stabile para explicar a grave crise financeira e o desamparo relatado pelos atletas.

O ambiente no Parque São Jorge atingiu um nível crítico de tensão após as declarações públicas do zagueiro Gabriel Paulista, que expôs a fragilidade da atual gestão. O jogador criticou abertamente a falta de suporte da diretoria aos atletas, especialmente diante dos recorrentes problemas com pagamentos.

A situação chamou a atenção de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, que agendou uma reunião extraordinária para o dia 16 de outubro. O objetivo é exigir explicações imediatas sobre a administração do clube e os reflexos negativos no desempenho do time em campo.

Conforme informações divulgadas inicialmente pelo jornalista Tiago Salazar e confirmadas pelo portal Meu Timão, a pauta da reunião é extensa e envolve temas cruciais para o futuro institucional da agremiação alvinegra.

O desabafo de Gabriel Paulista e o impacto no elenco

Após a derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, Gabriel Paulista não poupou críticas à postura de Osmar Stabile e de sua diretoria. O zagueiro afirmou que, ao contrário de outros clubes por onde passou, o Corinthians não oferece a proteção necessária aos seus jogadores.

O atleta destacou que a situação é uma vergonha, especialmente para os jogadores mais jovens que estão subindo da base. Segundo o zagueiro, muitos destes jovens enfrentam dificuldades financeiras graves por causa dos atrasos salariais, sendo obrigados a pedir ajuda a companheiros de equipe.

O jogador declarou: A gente precisa de proteção, que pague os nossos salários e os dos funcionários, porque isso afeta. Ele reforçou que, embora entenda a importância de vestir a camisa, a falta de respeito interna com o clube é inaceitável.

Endividamento bilionário e riscos de intervenção

Um dos pontos mais preocupantes que serão debatidos com Osmar Stabile é o endividamento total do clube, que já se aproxima da marca de R$ 3 bilhões. Esse montante foi registrado no balancete financeiro referente ao primeiro semestre de 2026.

Além disso, o Conselho quer entender o risco de perda do acordo com a União para a renegociação de débitos tributários. O Corinthians acumula quatro parcelas em aberto com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, somando cerca de R$ 27,3 milhões.

O clube também terá que prestar esclarecimentos sobre o andamento das apurações do Ministério Público de São Paulo, que investiga a possibilidade de uma intervenção judicial devido às irregularidades administrativas e financeiras apontadas.

Negociações da Arena e falhas na transparência

Outro tema central da reunião diz respeito à tentativa de quitar a dívida da Neo Química Arena. A diretoria busca viabilizar a venda dos naming rights para a Caixa Econômica Federal em uma operação de R$ 630 milhões, vista como a última alternativa para equilibrar as contas.

O Conselho Deliberativo também vai cobrar explicações sobre o atraso na entrega da revisão orçamentária. O documento deveria ter sido apresentado até o fim de junho, conforme determina o estatuto do clube, mas ainda não foi disponibilizado aos órgãos fiscalizadores.

A expectativa é que a oitiva com Osmar Stabile traga luz sobre como a diretoria pretende estancar a crise que atinge o futebol masculino, feminino e até as categorias de base, que também sofrem com a falta de pagamentos de ajuda de custo.

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