Crise no Corinthians: Presidente do Conselho Deliberativo admite risco real de intervenção judicial e cancelamento das eleições


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O Corinthians enfrenta o momento mais delicado de sua história recente, com uma dívida astronômica e um ambiente político marcado pela instabilidade constante entre seus conselheiros.

O cenário de crise institucional no clube paulista atingiu um novo patamar nesta semana. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, trouxe a público a possibilidade concreta de que as eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 28 de novembro, não ocorram conforme o planejado.

Com um passivo que se aproxima da marca de R$ 3 bilhões, o Timão atravessa dois anos de ebulição política ininterrupta. A situação, que já era preocupante, agora ganha contornos de urgência com a ameaça de uma intervenção judicial que pode paralisar as atividades administrativas e políticas da agremiação, conforme informação divulgada em entrevista concedida pelo dirigente.

A proposta de um acordo com o Ministério Público

Para tentar conter o agravamento da crise, Tuma Júnior defende que o atual presidente do Corinthians, Osmar Stabile, busque um diálogo direto com o Ministério Público de São Paulo. O objetivo seria a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta, conhecido como TAC, para alinhar as ações necessárias exigidas pelos promotores.

A ideia, segundo o dirigente, é que o clube construa um caminho conjunto com a Justiça, sinalizando as mudanças urgentes que precisam ser feitas. Tuma afirmou que, no papel de quem manda, o presidente deveria tentar um gesto de pacificação para evitar que a situação saia completamente do controle interno.

O risco de intervenção e o futuro incerto

Ao ser questionado sobre quem assumiria o comando do clube em caso de uma intervenção judicial, Romeu Tuma Júnior foi cauteloso. Ele explicou que tudo depende do alcance da medida determinada pela Justiça, que poderia resultar em um interventor geral com poderes para paralisar as deliberações de todos os órgãos do Corinthians.

O dirigente ressaltou que, se a intervenção for confirmada, as ações seriam guiadas estritamente pelo que for estabelecido para o interventor. Isso traria uma incerteza jurídica sobre o processo eleitoral, já que a estrutura de poder do clube, incluindo o próprio Conselho Deliberativo, ficaria sob o crivo da fiscalização judicial.

A reforma estatutária e o impasse político

A crise é agravada pela suspensão da reforma do estatuto, que já foi paralisada quatro vezes pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A atualização do regimento interno, que não muda desde 2008, é considerada fundamental para adaptar o clube à Lei Geral do Esporte, mas os recursos constantes de conselheiros vitalícios impedem o avanço das votações.

Tuma Júnior se defendeu das críticas sobre sua gestão, afirmando que sempre agiu para criar controle e efetividade no estatuto. Ele acredita que, se as mudanças propostas tivessem sido aprovadas anteriormente, o clube não estaria enfrentando o atual cenário de descredibilidade e pressão por intervenções externas, que coloca em xeque o futuro da instituição.

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