Justiça suspende Assembleia Geral do Corinthians que votaria reforma do estatuto e gera nova reviravolta nos bastidores do clube

Tribunal de Justiça de São Paulo acata recurso e interrompe processo de reforma do estatuto do Corinthians, gerando incerteza sobre o futuro político da instituição.
O cenário político do Corinthians vive um novo capítulo de incertezas após uma decisão judicial impactante. A Assembleia Geral que definiria o futuro da reforma do estatuto do clube foi suspensa por ordem do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O evento estava agendado para este sábado, no Parque São Jorge, mas precisou ser cancelado. A medida cautelar pegou muitos associados de surpresa e reacendeu o debate sobre os procedimentos internos adotados pela diretoria.
Conforme informação divulgada pelo portal Meu Timão, a suspensão foi determinada pelo desembargador Maurício Campos da Silva Velho, que acatou o pedido de três conselheiros vitalícios do clube.
Os argumentos jurídicos contra a reforma
A ação foi movida pelos conselheiros Ademir de Carvalho Benedito, Guilherme Gonçalves Strenger e Alexandre Husni. O grupo alega que o estatuto do Corinthians não foi respeitado durante o trâmite de aprovação das novas propostas.
Um dos pontos centrais da contestação é a falta de participação do Conselho de Orientação, o Cori, que deveria ter sido consultado sobre as alterações. Além disso, os conselheiros questionam a legitimidade da votação dos 11 temas propostos.
O desembargador destacou em sua decisão que a suspensão é temporária e visa preservar a utilidade de um julgamento futuro. O magistrado afirmou, segundo o texto, que a medida não representa um juízo definitivo sobre o mérito das escolhas associativas.
Impacto nas eleições e nos direitos dos torcedores
Um dos temas mais sensíveis desta reforma do estatuto envolve o direito de voto do Fiel Torcedor, que poderia passar a ser chamado de Associado de Futebol. A mudança teria impacto direto nas eleições presidenciais marcadas para novembro.
Os autores do recurso temem que a pressa na aprovação das medidas altere significativamente o colégio eleitoral antes do pleito. Para eles, a implementação imediata dessas regras traria efeitos de difícil recomposição para a democracia interna do clube.
Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, acatou a determinação judicial prontamente. Ele comunicou aos associados que a Assembleia Geral está paralisada até que ocorra o julgamento final da apelação apresentada pelo trio de conselheiros.
Histórico de disputas e o futuro do clube
Esta não é a primeira vez que o processo de modernização do estatuto enfrenta barreiras judiciais. Desde junho, diversas tentativas de votação foram alvo de questionamentos, acumulando um histórico de quatro suspensões recentes.
As propostas em jogo são amplas e incluem temas como a redução do número de membros do Conselho Deliberativo, a criação de um sistema de dois turnos para a eleição presidencial e novas regras para a reeleição do atual mandatário.
Enquanto o imbróglio jurídico não é resolvido, o Corinthians segue operando sob as diretrizes do estatuto atual, que foi revisado pela última vez em 2008. O clube aguarda agora uma definição dos tribunais para retomar o debate sobre sua estrutura.



