Crise no Corinthians: vice-presidente expõe atrito com Stabile sobre manutenção de departamento polêmico

O Departamento de Integração do Corinthians se tornou o centro de uma disputa interna, com o vice-presidente Armando Mendonça revelando que a decisão de manter o setor partiu diretamente do presidente Osmar Stabile.
O clima nos bastidores do Parque São Jorge esquentou nas últimas semanas devido ao funcionamento do Departamento de Integração. Embora o setor tenha sido alvo de uma recomendação de extinção para equilibrar as contas do clube, a ordem não foi cumprida pela presidência.
A controvérsia ganha contornos mais claros após declarações de Armando Mendonça sobre a necessidade de austeridade financeira. O vice-presidente afirma que a estrutura não possui previsão orçamentária para 2026, conforme apuração publicada pela Gazeta Esportiva.
Este impasse administrativo coloca em xeque as metas de reestruturação financeira prometidas pela gestão alvinegra. A seguir, entenda os detalhes dos custos e os motivos que travam o encerramento das atividades desta pasta dentro do Corinthians.
Decisão de corte foi ignorada pela presidência
Segundo Armando Mendonça, a decisão de encerrar o departamento foi amplamente debatida e aprovada por órgãos como o Conselho Fiscal, o Cori e o Conselho Deliberativo. O vice-presidente explicou que chegou a solicitar ao gerente de Esportes Terrestres que providenciasse o desligamento dos colaboradores.
No entanto, o processo foi interrompido. Ao ser questionado sobre o motivo da manutenção da pasta, Mendonça foi direto ao ponto. Por decisão do presidente, revelou o dirigente, apontando que a ordem final partiu de Osmar Stabile, ignorando o planejamento financeiro que previa o corte de gastos.
Custos milionários e falta de receita
O Departamento de Integração foi criado em março de 2024, ainda sob a gestão de Augusto Melo. O objetivo era aproximar as categorias de base do Chute Inicial e do Cifac, mas o resultado prático tem sido um custo anual de aproximadamente R$ 930 mil aos cofres do clube, sem gerar qualquer receita direta.
A intenção de extinguir o setor fazia parte de um pacote de cortes que visava uma economia anual de quase R$ 2 milhões. O planejamento foi registrado em e-mails internos ainda no mês de fevereiro deste ano, mas a execução encontrou barreiras administrativas e jurídicas importantes.
Entraves jurídicos e justificativas contraditórias
Um dos principais obstáculos para o fechamento foi a situação de Gustavo Lott, coordenador administrativo da pasta. Por ser membro da Cipa, ele possui estabilidade provisória, o que gerou um alerta imediato do departamento jurídico do Corinthians sobre possíveis riscos trabalhistas.
Enquanto a diretoria avaliava como realocar o funcionário, a decisão de extinguir a área foi revertida. Oficialmente, o clube passou a tratar a ausência de verba no orçamento como um erro, versão contestada por Marco Polo, ex-diretor de Esportes Terrestres, que afirma que a retirada da verba foi uma medida planejada de corte de custos.



