Conselheiros do Corinthians acionam a Justiça para barrar nova Assembleia Geral sobre reforma do Estatuto e geram impasse no clube

A nova tentativa do Corinthians de votar a reforma do Estatuto enfrenta um novo obstáculo jurídico, com conselheiros buscando a suspensão da Assembleia Geral prevista para o dia 19 de setembro, no Parque São Jorge.
O clima nos bastidores do clube segue tenso, especialmente após um grupo de conselheiros vitais ter ingressado com uma ação no Tribunal de Justiça de São Paulo para interromper o processo de votação. A iniciativa coloca em xeque a estratégia da atual gestão do Conselho Deliberativo.
Segundo os opositores, a nova convocação ignora determinações judiciais anteriores que já haviam barrado uma tentativa semelhante de reforma estatutária em junho deste ano. Eles argumentam que as falhas apontadas pela Justiça não foram corrigidas, conforme informação divulgada pelo portal Meu Timão.
A disputa judicial ganha contornos dramáticos, já que o Corinthians atravessa um momento de crise institucional e financeira. A necessidade de uma reforma do Estatuto é defendida como uma resposta aos problemas de governança, mas a forma como o processo está sendo conduzido é o principal alvo das críticas.
Os argumentos dos conselheiros contra a reforma
Os conselheiros Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger sustentam que houve manobras regimentais no Conselho Deliberativo para viabilizar a pauta. Eles criticam o fato de que, após a rejeição do texto-base original, os destaques foram tratados como matérias independentes.
Na representação, o trio aponta que 15 destaques foram reduzidos a dez temas sem a devida autorização, configurando, na visão deles, uma assimetria metodológica. O próprio clube teria admitido, em documentos judiciais, a existência de dúvidas sobre a condução desse processo de reforma do Estatuto.
O que está em jogo na votação dos associados
A pauta da Assembleia Geral inclui dez mudanças significativas para o futuro do clube. Entre as propostas, destacam-se a concessão de direito de voto para o Fiel Torcedor a partir de 2026, a redução do Conselho Deliberativo para 200 membros e a instituição de um sistema de dois turnos para a eleição da presidência.
Outro ponto polêmico é a criação de uma regra de transição que permitiria a reeleição do atual presidente. Para os conselheiros que pedem a suspensão da reforma do Estatuto, a votação deve ser interrompida até que todas as inconsistências técnicas e jurídicas sejam sanadas pelo Conselho Deliberativo.
A defesa do Conselho Deliberativo e o cenário de crise
O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, justifica a convocação citando a necessidade de resguardar a segurança jurídica e a estabilidade institucional do Corinthians. Tuma alega que o clube enfrenta um risco de continuidade apontado por auditoria independente, o que tornaria as mudanças urgentes.
O edital de convocação ainda menciona que a reforma do Estatuto é uma resposta à crise de credibilidade que afeta a imagem da instituição. Enquanto o impasse segue na Justiça, o clube aguarda uma decisão que definirá se os associados poderão ou não votar as alterações no dia 19 de setembro.
Possíveis desdobramentos e sanções judiciais
Além do pedido de suspensão da reforma do Estatuto, os conselheiros solicitaram a aplicação de uma multa diária de pelo menos R$ 100 mil caso o clube insista na realização da assembleia. Eles também buscam o encaminhamento de itens do processo ao Ministério Público de São Paulo para apurar possíveis responsabilidades.
A situação coloca o Corinthians sob os holofotes, não apenas pelo desempenho esportivo, mas pela sua governança. A expectativa é que o Tribunal de Justiça analise com urgência a demanda para evitar que um novo ato seja anulado, o que aprofundaria ainda mais a crise institucional vivida pela agremiação.



