Salário reduzido e dívida negociada: os bastidores do acordo frustrado entre Corinthians e Memphis Depay


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O Corinthians e Memphis Depay tinham um plano financeiro detalhado para a renovação, visando equilibrar as contas do clube enquanto mantinham o astro em campo até 2028.

A saída de Memphis Depay do Corinthians, oficializada na última terça-feira, pegou muitos torcedores de surpresa. O clube justificou a decisão como uma necessidade urgente de preservar sua saúde financeira, encerrando uma das passagens mais midiáticas do futebol brasileiro recente.

Apesar do desfecho, novos detalhes obtidos pelo portal Meu Timão revelam que a diretoria e o jogador chegaram a alinhar um contrato robusto. O acordo previa uma reestruturação completa dos vencimentos e uma gestão mais rigorosa sobre os pagamentos de direitos de imagem e bonificações.

Abaixo, detalhamos os pontos principais desse acerto que não chegou a ser concretizado, conforme apuração do portal Meu Timão.

Redução salarial e novo vínculo de dois anos

O novo contrato teria duração de dois anos, começando em agosto de 2026 e indo até julho de 2028. O objetivo era claro, reduzir o peso na folha mensal do clube. Entre agosto e dezembro de 2026, o salário bruto seria de R$ 632,5 mil, saltando para R$ 1,1 milhão mensal a partir de janeiro de 2027.

Na prática, o valor médio mensal cairia de R$ 1,391 milhão, pago no contrato anterior, para R$ 1,003 milhão no novo vínculo. Isso representa uma redução de 26% nos custos fixos com o atacante, mostrando o esforço do Corinthians em adequar o orçamento à realidade da instituição.

Acordo sobre dívidas e direitos de imagem

O Corinthians confessou uma dívida líquida de R$ 42.029.178,00 com Memphis Depay, referente a luvas, bonificações e direitos de imagem não pagos. O plano era quitar esse montante em quatro parcelas, com vencimentos distribuídos entre janeiro de 2027 e maio de 2028.

Para facilitar o fluxo de caixa, o clube também conseguiu flexibilizar os prazos de pagamento. Em caso de atraso, o limite para quitação sem cobrança de juros pesados subiu de 15 para 40 dias, protegendo o clube de penalidades imediatas que poderiam comprometer ainda mais o caixa.

Mudanças nas metas e bônus por desempenho

O modelo de premiação também passou por uma transformação radical. Antes, o atleta recebia valores fixos altos por títulos, mas o novo acordo atrelou esses bônus a metas de performance e aos contratos de patrocínio do clube, como o da Esportes da Sorte.

Para receber os 20% das bonificações, Memphis precisaria ser relacionado em pelo menos 50% dos jogos da competição e atuar por, no mínimo, 45 minutos em metade dessas partidas. Além disso, o bônus por uma eventual participação no Mundial de Clubes de 2029 seria de 12,5% da receita recebida pelo Corinthians junto à Fifa.

Oportunidades comerciais e o papel de Consultor

O contrato previa que Memphis atuasse como Creative & Fashion Advisor, o que permitiria ao clube explorar sua imagem em ações de marketing e produtos licenciados. O piso de lucro líquido garantido ao jogador, que no acordo anterior era de 920 mil euros, subiria para R$ 15,4 milhões no novo documento.

O Corinthians também incluiu cláusulas restritivas para proteger seus patrocinadores, proibindo o jogador de se associar a marcas concorrentes. Embora o projeto fosse ambicioso e desenhado para ser sustentável, a decisão final do clube foi romper o vínculo, priorizando, segundo a nota oficial, a responsabilidade financeira da entidade.

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